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26.Nov - Dom Severino Clasen comenta propostas do Ano do Laicato
Dom Severino Clasen comenta propostas do Ano do Laicato

Os leigos serão os sujeitos e protagonistas do novo ano da Igreja no Brasil que será iniciado neste domingo, 26. Fazer com que os cristãos assumam de fato seus papéis de cristãos onde estão, na família, no trabalho, na comunicação, na educação, nas universidades, no poder público e na política, é o objetivo do Ano do Laicato — iniciativa da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da CNBB, aprovado em 2016.


Com o tema “Cristãos Leigos e Leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e com o lema “Sal da Terra e Luz do Mundo”, o novo ano foi pautado nos documentos 100 — sobre as comunidades —, 107 — sobre a iniciação da vida cristã – e 105 — sobre os leigos – da CNBB, sendo este último o de maior destaque.


“Nos atemos bastante ao documento 105 da CNBB sobre os cristãos leigos e leigas na sociedade. (…) Enfatizamos a questão dos leigos como sujeitos e protagonistas seja na Igreja e na sociedade para que não sejam uma Igreja trancada em si, nos templos, mas sim uma Igreja que sai dos templos para iluminar e ser sal no mundo, como diz o próprio texto bíblico ‘sal da terra e luz do mundo’. É preciso brilhar mais, é preciso dar gosto ao mundo, é preciso levar a luz do evangelho onde os cristãos estão”, afirmou o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da CNBB, Dom Frei Severino Clasen, bispo da diocese de Caçador (SC).


Ainda sobre tema e o lema, a presidente do Conselho Nacional do Laicato no Brasil (CNBL), Marilza Lopes Schuina, apontou como eixo central deste ano o chamado do Papa Francisco para uma ‘Igreja em saída’. “O tema quer nos chamar para isso – ‘Cristãos leigos e leigas para uma Igreja em saída, a serviço do reino’ – por uma perspectiva como sal da terra, luz do mundo, fermento na massa, para infundir uma inspiração de fé e de amor nos ambientes e nas realidades que os leigos e as leigas vivem”, afirmou.


Sobre o objetivo do Ano do Laicato, que seguirá até o dia 25 de novembro de 2018, Dom Severino enumerou três pontos: celebrar a presença e organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil, aprofundar a identidade, vocação, espiritualidade e missão, e incentivar o testemunho de Jesus Cristo e Seu Reino na sociedade. “Já pensou se nós conseguirmos fazer isso acontecer na sociedade? Teremos um novo mundo, um novo gosto de se viver, um novo brilho, porque o evangelho será vivido no coração de todos os batizados”, comentou.


Repercussão e ações da Igreja no Ano do Laicato


“Estou surpreso do número das ações, manifestações, dos pedidos – que nós não estamos dando conta —, de seminários, congressos, programações, romarias, depois cursos, formação, cartazes sendo espalhados. O próprio documento 105, sendo um dos documentos mais solicitados que a CNBB produziu. Tudo isso mostra que há um envolvimento. Parece-me que mexemos na veia, no coração do mundo cristão”, disse Dom Severino sobre a repercussão do Ano do Laicato.


A dinâmica deste período dedicado aos leigos e leigas foi pensado, de acordo com Schuina, não só com grandes eventos, mas com uma dimensão de maior inserção no cotidiano das comunidades, principalmente das mais distantes e afastadas dos grandes centros. “Estamos considerando principalmente comunidades longínquas sem acesso a celebrações eucarísticas, mas que se mantém vivas pela celebração da Palavra. Outro desafio, nos ministérios dos leigos, é termos uma boa formação para fazer a animação e fortalecimento das redes de comunidades, criando conselhos regionais e diocesanos de leigos e leigas”, completou.


Para a presidente do Conselho Nacional do Laicato, as ações devem ser voltadas para que os leigos se engajem, se comprometam e queiram pôr em prática o batismo. “Um das formas de se fazer isso é reconhecer que cada um – seja jovem, criança ou idoso – são pessoas que estão na comunidade eclesial, que estão presentes na sociedade e precisam ser incentivados e reconhecidos naquilo que fazem, principalmente nas diversas atividades que exercem”, opinou Schuina.


“Trabalhamos muito e insistimos na questão da unidade, de somar forças para que de fato seja um ano muito bem vivido, para que possamos ser fermento na massa, fermento do evangelho. Vamos inundar, tomar conta e encher a terra com o Evangelho de Jesus Cristo”, projetou o bispo da CNBB.


Desafios entre clero e laicato


“O maior desafio entre os sacerdotes e os leigos é entender que os sacerdotes têm uma missão e que os leigos têm as deles. (…) Não existem categorias superiores ou inferiores de cristãos – ‘o clero é superior e os leigos inferiores’, não existe isso”, afirmou Dom Severino.


O bispo enfatizou que é preciso superar a mentalidade de que “o padre está mais perto de Deus”, conceito de clericalismo fortemente combatido pelo Papa Francisco. “Pela graça do batismo, como diz São Paulo, nós nascemos leigos e nos fazemos padres e bispos, não nascemos padres e bispos. Nós fizemos nossa opção, não muda a categoria do batismo, o batismo é igual para todos, precisamos ter essa compreensão, todos somos iguais diante de Deus”, afirmou.


“Embora seja uma maioria na vida da Igreja, a vocação leiga é desconhecida, porque comumente quando se pensa em vocação, a leitura que se faz é a da vocação sacerdotal e religiosa, dificilmente o leigo é reconhecido em sua dignidade e identidade de um vocacionado que também é chamado e que precisa dar a sua resposta”, comentou Schuina.


Legados


Apesar de ter a duração de 364 dias, o Ano do Laicato pretende estender-se por meio de dois legados no âmbito social e eclesial. Segundo Dom Severino, no seguimento eclesial, planeja-se com este período de dedicação a realidade dos leigos e leigas do Brasil, a criação de programas, formação, ministérios coordenação e animação, de comunidades, pastorais e movimentos na dimensão ‘sal da terra e luz do mundo’. A cultura de valorização e síntese por parte de todo o clero e dos leigos e leigas de importantes documentos da Igreja católica também será incentivada.


No âmbito da sociedade, o bispo pontuou a promoção de mecanismos de participação popular para fortalecer o controle social, a gestão participativa nos conselhos de direito, nos grupos de acompanhamento legislativo, iniciativas populares, audiências, reverendos, plebiscitos, entre outros.


“Isso é função do leigo, é lá, (…) onde precisam colocar o fermento do evangelho em todas as atividades, porque se nós nos omitimos, os maus entram, e aí ficamos reclamando que o mundo está caótico, porque nós cristãos estamos ausentes. Então este é o legado que nós queremos, que haja esta participação, esta conscientização, que os leigos assumam ser sal da terra e luz do mundo no cotidiano”, suscitou.


Fonte: Canção Nova

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